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A VISÃO CONTEMPORÂNEA DO PAISAGISMO SEGUNDO ALEX HANAZAKI

  • Foto do escritor: Menciona Alex Hanazaki
    Menciona Alex Hanazaki
  • 15 de jan.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 19 de jan.


Casa Cor 2023 - Fotografia: Yuri Seródio em hanazaki.com.br


Olá, colegas paisagistas. Em nossa conversa no podcast Arte da Mata, tivemos a oportunidade de ouvir com profundidade a visão de um dos profissionais mais influentes do paisagismo brasileiro contemporâneo: Alex Hanazaki.


Sua trajetória não se resume a projetos premiados ou a uma assinatura estética reconhecível. Ela revela, sobretudo, um modo consistente de compreender o paisagismo como disciplina, como prática profissional e como construção cultural.


Jardim VMN - Fotografia: Estúdio NY 18 em hanazaki.com.br


Ao longo do episódio, Alex compartilhou reflexões que atravessam formação, rotina de trabalho, repertório criativo e os desafios estruturais do setor. São temas que interessam tanto a quem está dando os primeiros passos quanto a quem já atua há anos e busca amadurecer sua própria forma de projetar.


O aprendizado que nasce do canteiro


Para Alex, o paisagismo não se forma apenas em sala de aula. Ele descreve a profissão como um campo essencialmente prático, onde o conhecimento se sedimenta no contato direto com a obra, com as plantas e com as decisões cotidianas que cada projeto exige.


Paisagista Alex Hanazaki no Podcast Arte da Mata


Em um dos trechos mais claros da conversa, ele resume essa ideia:

“Eu acredito que o paisagismo é quase… um paisagista é quase um autodidata. Se aprende muito na prática, se aprende muito em estudos, se aprende muito no canteiro da obra.”

Essa percepção ajuda a explicar por que sua trajetória sempre esteve ligada à experimentação e à observação cuidadosa dos processos naturais e construtivos. O projeto, para ele, não nasce isolado no papel. Ele se transforma no terreno, no diálogo com o tempo, com o clima e com as limitações reais de cada contexto.


Jardim RRB - Fotografia: Estúdio NY 18 em hanazaki.com.br


Construir um escritório também é aprender


Quando fala sobre o início da carreira, Alex se afasta de qualquer romantização. Seu escritório não surgiu estruturado, com equipe e processos definidos. Pelo contrário. Ele relata um período em que precisou assumir todas as funções possíveis, do atendimento telefônico à gestão financeira.


“Era eu que atendia telefone, eu que fazia tudo. Não tinha ninguém.”

Paisagista Alex Hanazaki no Podcast Arte da Mata


A experiência, embora exaustiva, moldou sua visão sobre o que significa ser paisagista no mercado brasileiro. Projetar bem é indispensável, mas não suficiente. É preciso compreender contratos, clientes, prazos, fornecedores, fluxo de caixa e responsabilidades técnicas.


Esse aprendizado duro, segundo ele, veio acompanhado de muitos erros.


“Tinha que aprender na marra, obviamente, apanhando muito mais, errando muito mais do que acertando.”

Hoje, essa fase aparece como base silenciosa de uma carreira sólida, construída com autonomia e clareza sobre o valor do próprio trabalho.


Jardim DSF - Fotografia: Fernando Guerra em hanazaki.com.br


O repertório que vem de fora do jardim


Outro aspecto marcante da conversa é a forma como Alex descreve suas fontes de inspiração. Embora seja reconhecido como paisagista, ele não limita sua criatividade ao universo das plantas ou da arquitetura.


Ele conta que se alimenta continuamente de outras linguagens.


“Eu vou me alimentando de inúmeras coisas… música, teatro, obra de arte, escultura, moda.”

Paisagista Alex Hanazaki no Podcast Arte da Mata


Essa postura amplia o alcance dos projetos, que passam a dialogar com ritmo, textura, contraste, composição e sensações que ultrapassam o campo estritamente botânico. O jardim, nesse sentido, torna-se espaço cultural, não apenas técnico.


A recusa ao conforto criativo


Mesmo com reconhecimento consolidado, Alex evita repetir fórmulas. Ele descreve a inquietação criativa como parte essencial do seu processo.


“Eu gosto muito de provocar.”

Paisagista Alex Hanazaki no Podcast Arte da Mata


“Eu quero sempre ter a voz ativa no sentido de poder propor coisas novas.”

Essa busca por renovação explica as diferentes fases de sua obra, algumas mais geométricas, outras mais orgânicas, algumas contidas, outras exuberantes. Para ele, o estilo não é um destino fixo, mas um território em constante revisão.


Fuso Hotel - Fotografia: Yuri Seródio em hanazaki.com.br


Paisagismo como necessidade contemporânea


Ao olhar para o presente e o futuro da profissão, Alex amplia a discussão para além do campo estético. Ele vê o paisagismo como componente estrutural da arquitetura contemporânea e da qualidade de vida urbana.


“Hoje ele é uma ciência necessária para a sobrevivência humana, para uma construção.”

Segundo ele, o avanço da arquitetura biofílica, a presença crescente de jardins sobre lajes e a necessidade de reconectar as pessoas à natureza tornam o papel do paisagista ainda mais central.


Fuso Hotel - Fotografia: Yuri Seródio em hanazaki.com.br


Nesse cenário, ele também chama atenção para um gargalo importante: a baixa oferta comercial de espécies nativas, especialmente fora dos biomas mais explorados.


“Você tem ali no centro-oeste uma riqueza de vegetações de cerrado que são muito mal exploradas comercialmente.”

A fala revela que o futuro do paisagismo não depende apenas dos projetistas, mas de toda a cadeia produtiva que sustenta o setor.


Uma profissão que se constrói com tempo


Ao final da conversa, fica clara a mensagem que atravessa toda a trajetória de Alex Hanazaki: o paisagismo não é resultado de improviso, talento isolado ou modismos passageiros.


É uma construção lenta, feita de prática, repertório, erros, observação e escolhas conscientes.


Fuso Hotel - Fotografia: Yuri Seródio em hanazaki.com.br


Mais do que jardins bem desenhados, ele defende uma postura profissional madura, capaz de unir sensibilidade artística, responsabilidade técnica e visão de longo prazo.


Que suas reflexões inspirem outros paisagistas a olhar para o próprio caminho com a mesma seriedade, curiosidade e disposição para evoluir.


Assista na integra o episódio do podcast Arte da Mata com Alex Hanazaki.





Escrito por Bruna Sakamoto Comunicadora

 
 
 

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