RAÍZES QUE NASCEM DO OCEANO: A JORNADA DE ZENA HOLLOWAY RUMO AO BIO-DESIGN
- Menciona Zena Holloway

- 15 de jan. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de jan.

Root collar, 2020, por Zena Holloway - Fonte: rootfull.com
Fala, paisagista! Hoje vamos compartilhar com você a trajetória singular de Zena Holloway, artista britânica que começou sua carreira nas profundezas do oceano e acabou encontrando, nas raízes das plantas, um novo caminho para unir arte, natureza e responsabilidade ambiental.
Durante mais de duas décadas, Zena construiu reputação internacional como fotógrafa subaquática. Suas imagens, conhecidas pelo aspecto etéreo e quase surreal, retratavam corpos humanos e animais suspensos na água, como se flutuassem em outro mundo. Era arte, técnica e sensibilidade reunidas em um ambiente extremo.
Fotografias de Zena: Sea Woman, as "haenyeo", na Coreia do Sul - Fonte: Zenaholloway.com
Mas o que pouca gente imagina é que foi justamente esse mergulho constante nos oceanos que provocou uma mudança profunda em sua forma de enxergar o planeta e o seu próprio papel como criadora.
“Fotografar debaixo d’água me mostrou uma beleza que poucas pessoas veem, mas também uma degradação que quase ninguém quer encarar.”

Zena Holloway - Fonte: rootfull.com
Ao longo dos anos, Zena passou a testemunhar de perto os efeitos da poluição, especialmente do plástico, em ambientes marinhos antes intocados. A câmera continuava sendo sua ferramenta, mas algo já não fazia sentido: registrar a beleza enquanto ela desaparecia.
Foi nesse ponto que a fotografia deixou de ser apenas um fim e se transformou em ponto de partida.

Garrafas de plástico no oceano - Fonte: veja.abril.com.br
Desafios atuais do paisagismo residencial
A inquietação ambiental levou Zena a estudar biologia, materiais naturais e processos de crescimento vegetal. O que começou como pesquisa se tornou prática: ela passou a experimentar a criação de objetos a partir do cultivo controlado de raízes de gramíneas e cereais de crescimento rápido.
Essas raízes, ao crescerem, formam uma fibra vegetal densa e resistente, composta principalmente por celulose e lignina, os mesmos elementos estruturais presentes na madeira. Em vez de serem descartadas, elas são guiadas dentro de moldes biodegradáveis até assumirem a forma desejada.
Bio-designer Zena Holloway - Fonte: rootfull.com
Essas experiências deram origem ao estúdio Rootfull, um laboratório de bio-design em Londres, no Reino Unido, onde Zena orienta as raízes enquanto crescem para criar materiais com propósito, conectando processos naturais a objetos contemporâneos.
No estúdio, que funciona como um espaço de cultivo e workshop, o tempo, o solo e as plantas substituem máquinas e moldes industriais convencionais.
Fonte: rootfull.com
Vasos, luminárias e esculturas surgem lentamente à medida que as raízes crescem e se entrelaçam, criando estruturas sólidas, leves e totalmente biodegradáveis. Cada peça é literalmente um organismo moldado, colhido no momento certo, seco naturalmente e finalizado sem processos químicos agressivos.

Fonte: rootfull.com
Não se trata apenas de design sustentável. Trata-se de uma mudança completa de lógica produtiva.
Da extração para o cultivo;
Da produção em massa para o crescimento orgânico;
Do descarte para a reintegração ao solo.
Fonte: rootfull.com
Do oceano ao solo: uma mesma causa
Embora hoje seja reconhecida principalmente como bio-designer, Zena nunca abandonou sua identidade artística. A sensibilidade estética desenvolvida na fotografia subaquática continua presente nas formas fluidas, nos vazios e nas curvas naturais de suas criações feitas a partir da fibra vegetal.
O que mudou foi o meio.
Antes, a água. Agora, a terra.
Mas a motivação permanece a mesma: revelar a beleza da natureza e protegê-la.
Luminárias Root com base Bernard Rock, por Zena Holloway - Fonte: rootfull.com
Seu trabalho passou a ocupar exposições de design, sustentabilidade e inovação, dialogando com arquitetos, paisagistas e criadores que buscam soluções regenerativas para os espaços construídos.

Fonte: rootfull.com
O que Zena Holloway nos ensina?
A trajetória de Zena mostra que sustentabilidade não é apenas uma escolha técnica. É uma decisão criativa, ética e estética.
Ela nos lembra que:
materiais também contam histórias;
processos importam tanto quanto resultados;
o design pode deixar de ser apenas menos prejudicial para se tornar ativamente regenerativo.
Ao transformar raízes em estrutura e crescimento em método, Zena propõe algo raro: um futuro onde os objetos não nascem contra a natureza, mas junto com ela. E talvez essa seja a maior herança de sua jornada, iniciada no silêncio azul dos oceanos e consolidada no ritmo lento e firme do solo.

Fonte: rootfull.com

Escrito por Bruna Sakamoto Comunicadora




















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