QUEBROU? AVISA: COMO O JARDIM SOBREVIVE AO FIM DA OBRA


Jardim em implantação com a obra ainda em andamento ao fundo - SM Irrigação, Fonte: instagram.com/sm_irrigacao
Olá, paisagista!
O jardim costuma ser uma das últimas etapas da casa. Quando chega a sua vez, a engenharia quer entregar, o cliente quer se mudar e várias equipes ainda dividem o mesmo terreno. É nesse intervalo, entre o plantio e a entrega, que muito trabalho bem-feito se perde: canteiro pisoteado, grama marcada, cano de irrigação rompido sem que ninguém avise.
Quem também chega nessa hora é a irrigação. Silvestre Mota, fundador da SM Irrigação, empresa de irrigação e drenagem para paisagismo, foi o convidado do episódio #94. Ele descreve o clima que encontra:
“Nós somos os últimos a entrar na obra e às vezes os últimos a ser contratados. Então é aquela hora que o cliente já não tem mais a grana, já gastou tudo o que tinha, já não tem mais paciência, porque ele já brigou com todo mundo da obra.”

Silvestre Mota, da SM Irrigação, no podcast Arte da Mata
Reunimos o que ele e os paisagistas contaram no Arte da Mata sobre essa fase e o que dá para combinar antes de a primeira muda chegar.
“Obra é guerra”
A frase é do Marcelo Faisal.
“Obra é guerra. Imagina numa residencial, imagina numa incorporação. (...) Tudo pisoteado, tudo destruído: serralheiro, iluminação, pintura, andaime.”

Marcelo Faisal no podcast Arte da Mata
Alex Hanazaki, que projeta e também executa os próprios jardins, aponta a origem do problema: a pressa de ver a casa pronta faz o paisagismo entrar antes da hora.
“O grande problema do escritório é entrar na obra por imposição do cliente, do contratante, na hora errada. (...) Cansei de fazer obra no meio de escombros, com um ainda pintando uma parede, outro rebocando, outro cortando mármore, pedra, e eu lá, com plantas sensíveis, plantando, porque tinha que atender prazo.”

Alex Hanazaki no podcast Arte da Mata
Segundo ele, o resultado é um jardim que demora a acontecer, porque foi muito pisoteado durante o plantio.
A Fabiana Bellini tem uma resposta pronta para quem libera a entrada do jardim avisando que a pintura vem depois:
“Eu garanto a sua pintura, porque você não garante as minhas plantas.”

Fabiana Bellini no podcast Arte da Mata
Ela afirma que seus funcionários não encostam na parede, que o caminho por onde a equipe passa é forrado e que a obra é limpa todos os dias.
A grama é o carpete da obra
Alexandre Furcolin diz que quem está começando precisa acompanhar a obra e entender o tempo de montagem do jardim: primeiro as plantas grandes, depois a irrigação, depois os arbustos e a iluminação. A grama fica para o fim, mesmo quando o engenheiro pede para plantar logo.
“A grama é o carpete da obra. É a última coisa. Você vai pôr o carpete, depois pintar e fazer o gesso? Não. Você pinta, faz o gesso, faz tudo e põe o carpete.”

Alexandre Furcolin no podcast Arte da Mata
Depois de gramar, ele cerca a área e pede 15 dias sem ninguém pisar.
A ordem que protege o trabalho de todos
O Silvestre descreve a mesma lógica do ponto de vista de quem enterra tubos:
Nivelamento e modelagem do terreno.
O paisagista planta as árvores e as espécies de grande porte, que pedem covas maiores.
Entra a drenagem.
Entra a infraestrutura de irrigação: valas, tubulação, parte elétrica e equipamentos enterrados.
O paisagista volta com forrações, canteiros, arbustos e grama.
A irrigação faz o ajuste final e já vai irrigando todos os setores.

Obras em andamento com a SM Irrgação na Casa cor de 2025 - Fonte: SM Irrigação
“Essa seria a sequência ideal para ninguém atrapalhar ninguém.” Silvestre Mota, da SM Irrigação
A Fernanda Dagrela trabalha assim, com tudo combinado entre as equipes para uma não atrasar nem atrapalhar a outra:
“Eu entro antes, planto as de porte grande, nivelo. Aí saio de cena, vou para outra obra, entra o pessoal da irrigação e rasga tudo. Eles vão embora, eu volto, arrumo de novo, vou delimitar os canteiros, depois vêm as ornamentais, o gramado (...) e eles terminam de fazer a ligação.”

Fernanda Dagrela no podcast Arte da Mata
Quebrou? Avisa.
Mesmo com tudo combinado, cano quebra. “Em todas as obras acontece isso. Todas”, diz o Silvestre. A tubulação fica enterrada, e depois dela ainda vêm o plantio de arbustos e forrações e, muitas vezes, as escavações da iluminação. Numa das obras que ele mostrou no episódio, uma drenagem pronta foi destruída pelo serviço de outra equipe e teve de ser refeita.
O dano se conserta. O que complica é não saber onde ele está.
“Quando não avisa, a gente vai ter que descobrir onde é que está. É uma obra grande, você vai ter que descobrir onde é que está o vazamento. (...) O pacto é esse: quebrou, avisa que quebrou.”, Silvestre Mota, da SM Irrigação.
Do lado de quem cava para plantar, a Fernanda Dagrela conta que já acertou vários canos de água e que sai para a obra preparada:
“Cada equipe tem um kit, e dentro desse kit já tem cano, já tem cola, já tem tudo. (...) De dez obras, uma ou duas acabam pegando.” Fernanda Dagrela
Ela conta que, numa obra no litoral, a cliente pediu para acompanhar o plantio e chegou no instante em que o jardineiro acertou um cano. Com o vazamento e a cliente desesperada, a resposta foi: “Calma, calma, que vai dar tudo certo. A gente tem um kit.”
O Silvestre lembra que o pisoteio também atinge o que não se vê. Depois da drenagem, a terra fica afofada, e quem pisa em cima dos drenos vai compactando o solo. Depois é preciso voltar e afofar tudo de novo.

Vala aberta com tubulação de irrigação antes do fechamento - Fonte: Obra de SM Irrigação
Na sua próxima obra, quem sabe em que dia cada equipe entra no jardim? E quem avisa quando algo quebra?
Jardim bom começa com obra combinada.

Escrito por Bruna Sakamoto
Comunicadora



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