O CLIENTE QUER GRAMADO, MAS NÃO QUER MANUTENÇÃO: COMO FAZER ESSA CONTA


Gramado residencial em uso, com crianças e cachorro brincando
Fala, paisagista!
O pedido costuma chegar cedo na conversa: um gramado para as crianças correrem e para o cachorro brincar. Alguns meses depois da entrega, o mesmo cliente pode estar reclamando do preço do jardineiro, das manchas e de um verde que já não é o do primeiro dia.
O gramado é o trecho do jardim em que a família pisa, senta e brinca. É também um dos que mais cobram cuidado. Quando essa conta fica fora do projeto, ela aparece depois, e a reclamação pode chegar a quem assinou o jardim.
Gramado é lugar de uso
Carlos Michetti é engenheiro agrônomo da Qually Grama, empresa produtora de gramas de Tatuí (SP). No podcast Arte da Mata, ele contou que o filho abriu um buraco de lama no gramado dos fundos de casa para brincar com o trator dele:
“Toda vez que ele está brincando no jardim, ele relaxa. Ele tranquiliza. Esse contato do ser humano com a natureza é fundamental.”

Carlos Michetti, da Qually Grama, no podcast Arte da Mata
Por isso a decisão começa antes do desenho, na conversa com a família. É o que defende a paisagista Cíntia Senna:
“Se é uma família que tem criança, que tem cachorro, você já precisa ver qual é a realidade daquela família. O uso que essa área externa vai ter.”

Cíntia Senna no podcast Arte da Mata
O trecho que mais cobra cuidado
O arquiteto paisagista Douglas Brandão faz o contraponto. Ao comentar um de seus projetos no podcast, ele disse:
“Eu, particularmente, prefiro evitar os [jardins] de grama. Claro que tem pontos excepcionais.”

Douglas Brandão no podcast Arte da Mata
O engenheiro agrônomo Gabriel Kehdi vê o problema pelo lado técnico:
“Gramado é uma vegetação que demanda muita manutenção. (...) Tem cliente que não aceita: quer ter o gramado top, mas não aceita essa demanda de manutenção. Então tudo isso precisa ser alinhado.”

Gabriel Kehdi no podcast Arte da Mata
Michetti acrescenta o que encontra depois que o gramado está plantado:
“A gente vê muito, muito problema de manutenção errônea. (...) Tem muitos erros de adubação: o pessoal vai na mão lá, joga um famoso 10-10-10 (...), uma ureia, e aí queima a grama.”
Carlos Michetti, da Qually Grama
Alinhar é falar de corte, adubação e água antes de fechar a metragem. E é lembrar o cliente de que a entrega é o começo. A paisagista Renata Guastelli usa uma imagem que ajuda nessa conversa:
“Eu sempre digo que a implantação, quando eu entrego para o cliente, é quase como entregar um bebê recém-nascido. Você precisa cuidar dele com água, você precisa nutrir, você precisa fazer as podas corretas, limpar.”

Renata Guastelli no podcast Arte da Mata
O preço do metro quadrado não é o custo do gramado
Michetti propõe olhar para o custo de manter o gramado, e não só para o preço da grama:
“Tem que imaginar que a grama, diferente de um piso em porcelanato que você coloca no seu projeto, (...) é viva, então ela cresce. (...) Você tem que fazer a conta: qual é o custo para manter esse gramado durante o ano? E é aí que muita gente se perde na conta, porque não sabe nem como fazer o manejo.” Carlos Michetti, da Qually Grama

Grama esmeralda em projeto com a Qually Grama - Fonte: quallygrama.com.br/
A variedade muda essa conta. Michetti explica que a esmeralda, que ele chama de número um do mercado, pede geralmente mais de um corte por mês e pode chegar a um corte a cada 7 dias quando o manejo é mais intenso. Há cultivar de crescimento mais lento que, segundo ele, atravessa o verão com uma poda a cada 30 dias.
Menos corte também é menos máquina e menos adubo:
“Se eu tenho uma grama que dá menos manutenção, eu gasto menos combustível nas máquinas e eu estou (...) aportando menos nutriente.”Carlos Michetti, da Qually Grama
Ele mesmo aponta o limite: uma grama que cresce devagar também demora mais para se fechar de novo depois de um dano. Por isso defende o corte com cortador de carrinho, regulado na altura que a grama pede, e a roçadeira costal só no acabamento.

Projetos de gramas de diferentes proporções com a Qually Grama - Fonte: quallygrama.com.br/
Não existe grama sem manutenção. Existe a escolha de quanto gramado o projeto precisa, de qual variedade e de quem vai cuidar. Essa escolha é sua e do cliente.
Para levar ao próximo briefing
No seu próximo projeto, o gramado vai ser dimensionado pelo tamanho do terreno ou pelo uso e pelo cuidado que o cliente consegue manter?
Grama boa é a que o cliente consegue manter.

Escrito por Bruna Sakamoto
Comunicadora




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